quarta-feira, 3 de agosto de 2016

É para isso que cá estamos.

Foi o que senti. "É para isto que cá estou.". Assim, sim. Agora percebo - claro que já tinha percebido antes, noutras vezes semelhantes, mas o meu feeling foi como se só naquele momento me tivesse encaixado qualquer coisa.

Estávamos na garagem do nosso prédio e um vizinho nosso tem um carro muito bom (não sei se é Ferrari ou Lamborghini ou o que é). A Irene gosta muito do carro por ser vermelho e foi ter com o senhor que estava acompanhado da mulher e do filho também pequeno.

Não sei porque raio o senhor fez o que fez, mas ligou o carro e o carro fez um barulho enorme que, ainda para mais, ecoou em toda a garagem. A Irene é particularmente sensível a barulhos muito altos, pelo que foi uma infeliz coincidência. Ela que estava próxima do carro, desapareceu do meu alcance visual, mas consigo ouvir os sapatinhos dela a bater no cimento. 


Toc. Toc. Toc. Toc. Toc. 


Aí está ela. Vem a correr na minha direcção. Abri os braços, agachei-me e saltou-me para o colo. Saltou-me para o colo e abraçou-me à séria. Abraçou mesmo o meu pescoço com muita força e encostou a cabeça dela ao meu ombro esquerdo.

Nem me enervei com o que aconteceu (era desnecessário ligar o carro com a miúda lá ao pé, sabendo que ia fazer aquele barulho todo, digo eu). 

Expliquei à minha filha que foi um susto, que era só um barulho alto, como quando o avô se assoa ou quando o pai passa a sopa e afins. Ela disse "a Irene é forte, não tem medo" - com os olhos com lágrimas que quase quiseram sair, mas que encontraram a mãe a tempo. 

Os meus abraços são teus, filha. 

É para isto que cá estamos. 




5 comentários:

  1. Lindo....
    é mesmo para isso que cá estamos...

    Beijocas grandes!

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  2. Isto não é um comentário "hater", longe dessa intenção. Mas quando li "Nem me enervei com o que aconteceu (era desnecessário ligar o carro com a miúda lá ao pé, sabendo que ia fazer aquele barulho todo, digo eu).", pensei naquela que tem sido a aprendizagem mais dura que tenho tido enquanto mãe: o nosso mundo gira à volta deles, o do resto das pessoas [excluindo família, e às vezes nem isso] não se altera um milímetro. E isso não é mau - só temos é de ter a noção que os nossos filhos não são a prioridade dos outros (que na maioria das vezes se estão perfeitamente nas tintas).

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    1. A questão é que uma pessoa que tem um carro desses é que não deveria ser a prioridade... de ninguém! Porque esse barulho é nocivo para crianças, mas também para adultos (idosos, pessoas com problemas cardíacos... erm... toda a gente?). Eu ando muito a pé e não compreendo motas que passam em ruas da cidade a fazer imenso barulho... carros desses tipo porsche e ferrari que aceleram loucamente só porque têm 300m de estrada livre à frente e fazem uma barulheira... para quê isso? É notório que essas pessoas já compram esses carros para os exibir, mas é preciso chegar a tanto?

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  3. Opá isto é lindo. A sério. <3

    Teresa - "Chá(nax) das 2"
    (http://chanaxdas2.blogspot.pt)

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  4. Adoro vir aqui diariamente, mas se calhar vou ter de deixar de vir. É que vir aqui e chorar todos os dias, ainda por cima no escritório, é dose. ©

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